Ásia

As diversas regiões do planeta, sensibilizadas com a tragédia oriunda do fenômeno Tsunami, realizam campanhas visando arrecadar recursos necessários para o atendimento das milhares de vítimas que hoje apresentam-se desabrigadas, sem água potável e vulneráveis às conseqüências posteriores da tragédia, como epidemias, violências   especialmente estupros contra crianças e ampliação do tráfico de drogas  e fome. Estas iniciativas marcadas pela solidariedade são imprescindíveis, mas algumas iniciativas políticas também são de fundamental importância.

Nações como os Estados Unidos, China e Brasil responderam prontamente com ajuda humanitária. Alimentos, medicações, agasalhos e técnicos, embora ainda insuficientes, chegam diariamente na região. Na China, mais de 70 celebridades estão empenhadas em programas de sensibilização em favor dos desabrigados, realizando campanhas como a liderada por Stivie Wonder e Michael Jackson em 1985 para as vítimas da fome na África. O cantor chinês Joey Yung está liderando a gravação de uma versão da música We Are the World com o objetivo de mobilizar todas as comunidades da Ásia em benefício das vítimas do litoral índico.

A solidariedade com estes seres humanos, no entanto, não podem ser limitados somente a este período onde o problema está presente nos grandes meios de comunicação. Catástrofes anteriores em outras regiões também mobilizaram a opinião pública, mas em pouco tempo foram esquecidas pela humanidade. Diversas regiões do planeta são acometidas pela fome, pelo desabrigo, milhares de crianças são vítimas de minas terrestres, são prostituídas ou escravizadas e nossa capacidade de resignar-se parece ter perdido um pouco de sua vitalidade.

Além da devastação na Ásia vamos nos deparar com um quadro de extrema pobreza em países com suas dívidas externas praticamente impagáveis para a realidade local. O Clube de Paris está sugerindo uma espécie de Novo Plano Marshall para a região. O secretário da Fazenda da Grã-Bretanha, Gordon Brown possivelmente proporá aos países membros deste grupo de ricos credores  uma moratória parcial, adiando o pagamento neste de ano aproximadamente US$ 3 bilhões.

A Indonésia é o país com maior número de mortos na tragédia, cerca de 100 mil pessoas, após a renegocição de sua dívida com o Clube de Paris, deve repassar nos próximos anos a soma de  US$ 15 bilhões. A dívida total da Indonésia com o Clube somava US$ 41,4 bilhões em janeiro de 2002. Estes países não tiveram apenas suas praias e pontos turísticos destruídos, mas boa parte de seu sistema produtivo foi liquidado.

O líder africano no processo de descolonização Kwame Nhkrumah já denunciava os mecanismos do neocolonialismo em manter a dependência financeira das ex-colônias como uma nova forma  de dominação das antigas metrópoles. O Vaticano na comemoração do ano jubilar de 2000 publicou a Declaração de Tegucigalpa que clamava pela vida acima da dívida e afirmava que a dívida é ainda justificativa para manter as políticas neoliberais que constituem um importante mecanismo de sustentação da dependência mediante os conhecidos ajustes estruturais. O Jubileu Sul realizará sua assembléia geral dentro da quinta edição do Fórum Social Mundial, que se realizará no final de janeiro, na cidade de Porto Alegre, Brasil. O tema central será a luta contra a dívida externa dos países em desenvolvimento e a reunião está marcada para o dia 29 de janeiro.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, nos dias  20 e 21 de setembro, por ocasião da abertura da Assembléia Geral da ONU,  lançou em Nova York o Fome Zero Mundial e foi respaldado por cerca de 55 chefes de Estado, inclusive o papa João Paulo II. Lula denunciou que somos 6,1 bilhões de habitantes, dos quais 4 bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, vivendo com menos de US$ 30 por mês. Desses, 1,2 bilhão estão abaixo da linha da miséria, dos quais 841 milhões estão ameaçados pela desnutrição crônica. A cada 24 horas morrem de fome no mundo 100 mil pessoas, entre as quais 30 mil crianças com menos de 5 anos de idade. No dia 11 de setembro, a derrubada das torres gêmeas de Nova York completou três anos. Houve imensa comoção internacional. A cada dia a fome faz desabar 10 torres gêmeas repletas de crianças.

Mais do que nunca temos o dever de exercer a solidariedade mobilizando recursos para as vítimas do Tsunamis, sem esquecer de que solidariedade não tem fronteiras e  que também temos o nosso dever de casa, em nossas cidades construindo ações solidárias em  tragédias ocorridas como no caso recente de incêndio na Vila dos papeleros.  Devemos, contudo, ter claro que a exigência que nos é apresentada também está em questionar as estruturas existentes. O V Fórum Social Mundial será um momento ímpar para isto, assim como nossa contribuição neste momento de dor que passa o povo asiático.

* Dionilso Marcon é deputado estadual pelo PT/RS.

 

 

Publicado em 05/01/2005 às 00:00

Dionilso Marcon*

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