O novo jeito de tratar os movimentos sociais

Na sexta-feira (23), Porto Alegre reviveu, por seis horas, os sombrios tempos da ditadura militar. A força desproporcional da operação promovida pelo comando da Brigada Militar sitiou grande parte do centro da cidade, trancou cinco quarteirões, desviou veículos, mobilizou mais de 300 homens (EPTC e BM). O objetivo, segundo o comando da PM, era cumprir um mandado de reintegração de posse de 36 famílias que ocupavam pacificamente o prédio que serviu há pouco tempo de base da organização criminosa PCC, que, através de túneis, pretendia assaltar o Banrisul e a Caixa Federal.

No mesmo dia e hora em que se desenrolava a mega-operação contra o Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), um homem assaltou a agência do Banco Itaú na rua Uruguai, no Centro da Capital. O criminoso portava uma arma de brinquedo no momento da ação, rendeu os funcionários, levou o dinheiro dos caixas e fugiu em uma motocicleta sem ao menos ser perseguidos pela polícia.

No mês de julho de 2006, a Polícia Federal utilizou apenas uma quadra da rua Caldas Junior para prender mais de 30 criminosos do PCC, numa operação rápida, discreta e segura para a população. Na sexta-feira,para trabalhar a população era obrigada a identificar-se com crachá funcional ou carteira de trabalho e ainda ser acompanhada por soldados. Cerceou-se o direito constitucional de ir e vir e a cidade praticamente parou nas primeiras horas da manhã.

Outro absurdo foi a transferência dos terminais de ônibus de lugar, obrigando a população a percorrer longas distâncias para poder ser transportada. Mais uma decisão lamentável foi a ordem de fechar o posto de saúde Santa Marta, fazendo com que pessoas de todo Estado que esperavam há meses por suas consultas tivessem seus médicos e exames cancelados.

O comando da Brigada também impediu a imprensa de chegar próximo do local, ferindo a liberdade de imprensa, só autorizando se aproximarem do prédio após as famílias estarem sentadas no meio da rua, do lado de fora do prédio.

Em setembro, um grupo de 36 famílias de sem teto do Movimento Nacional de Luta pela Moradia ocupou o prédio pertencente a um laranja do PCC exigindo que aquele imóvel, construído com recursos do BNH, fosse destinado para habitação popular. Segundo o MNLM, a desocupação era pacífica e havia sido declarada a toda imprensa.

Esta operação demonstra a verdadeira face do governo Yeda, a face de quem trata famílias de sem teto e crianças como criminosos, que trata a população como bandidos e a criminaliza os movimentos sociais. A operação de guerra também contou com o amparo de helicópteros, cães, batalhão de choque. Também no dia 8 de março essa mesma operação se repetiu com o bloqueio e revista das mulheres camponesas impedindo-as de entrar na cidade no dia da mulher, data internacionalmente utilizada para reivindicar direitos

O novo jeito de governar é o velho jeito da ditadura.

O Rio Grande é um estado com tradição democrática, não é possível continuar a ver as arbitrariedades deste governo.

Este jeito não serve para o Rio Grande.

 

 

Publicado em 26/03/2007 às 15:10

Dionilso Marcon

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